Parecia que nos últimos 4 anos a sociedade – finalmente! – havia começado a progredir nas pautas sobre peso e estrutura corporal. Isso porque, em meados de 2020, surgiu um movimento chamado “Body Positive (Corpo Positivo)” que passou a lutar arduamente contra os inalcansáveis padrões de beleza sociais.
É fato que o conceito ajudou muitas mulheres a adquirirem mais confiança e aceitarem seus corpos curvilíneos, além disso, houve uma verdadeira expansão nas pautas e agendas de diversidade. E isso tudo foi possível porque o movimento passou a pressionar o mercado (principalmente de moda) até que houvessem transformações positivas e assertivas.

Dentro das mudanças que ocorreram nos últimos anos, pudemos notar uma ampliação na criação de peças plus size (inclusive em marcas de renome), além da presença de modelos de todos os formatos e tamanhos de corpos em passarelas e peças publicitárias, e também a mudança de pautas e temas nos conteúdos jornalísticos que, anteriormente, enfatizava agressivamente a magreza e o peso na balança.
Mas, enquanto tudo parecia estar caminhando para a construção de uma sociedade mais respeitosa e inclusiva, surgiu um medicamente que foi projetado para tratar diabetes que acabou se tornando revolucionário e “milagroso” para a perda de peso e, consequentemente, de medidas: o Ozempic!

O Ozempic é uma medicação injetável que contém semaglutida, substância que trata e alívia os sintomas da diabete tipo 2, e que se mostrou muito eficiente no combate a obesidade e no controle de peso.
O lançamento da medicação aconteceu em 2017, mas sua popularidade é recente e o esse fato tem feito com que muitas pessoas utilizem a medicação e, consequentemente, estejam reduzindo uma quantidade expressiva de peso. Inclusive, muitas personalidades mundiais (como Elon Musk, Oprah Winfrey, Simone Mendes e Anitta) já assumiram serem adeptadas da medicação, e também há muitos vídeos virais nas redes sociais com relatos e dicas de pessoas que usam ou usaram a substância.

De fato, a linha do tempo do Ozempic vem sendo direta e satisfatória. Mas, vale dizer que o uso da medicação também engloba muitas ressalvas, como: não é um medicamento para todos (consulte um médico), possui diversos efeitos colaterais, tem um preço bastante alto (e consequentemente inacessível para a maioria da população), raramento é coberto por planos de saúde.
De qualquer maneira, é certo que a medicação representa um verdadeiro avanço na medicina! Ele colabora -e muito! – para a saúde, já que é eficaz no tratamento de diabetes e obesidade. Porém, mesmo ainda sendo inacessível pra grande parte da população, esta havendo um uso indiscriminado do remédio e, muitas pessoas de estrutura corporal normal vem aderindo ao Ozempic para perder peso.

Nos últimos meses já estamos ouvindo falar até mesmo de uma nova medicação que promete ser a “evolução do Ozempic”, o Mounjaro. E por todas essas razões é que podemos afirmar que estamos vivendo a era do Ozempic, o que significa que esta se materializando uma forte cultura de valorização aos remédios de emagrecimento.
E então eu te pergunto? Esse fato logo a seguir de um super movimento “Body Positive” não seria um retrocesso quando falamos sobre aceitação de corpos reais e diversidade?

É importante salientar de que nesse ponto eu não estou falando sobre saúde…
Nesse quesito eu acredito que Ozempic e seus derivados são sim um grande avanço da indústria farmaceutica, afinal, não podemos negar que diabetes e obesidade são DOENÇAS e precisam de cuidados e tratamentos. Não se trata de romantizar a obesidade, pois nesse caso é muito importante que tratamentos e medicações corretas sejam receitas e utilizadas!
Mas a verdade é que há uma grande parcela de pessoas que apoiavam e dissipavam o “Body Positive”, ou seja, cobravam a valorização sobre corpos curvilíneos e reais, que passaram a utilizar o Ozempic e hoje encontram-se em corpos completamente magros e “dentro do padrão e ideal social”.
E em muitos casos existem pessoas já magras e dentro do padrão fazendo o uso indiscriminado dessa medicação.
Então, será mesmo que a sociedade estava em um caminho de mudança quanto aos padrões estéticos?

Nesse caminho também estamos observando as mesmas marcas, empresas e agências que diziam abraçar e incluir a diversidade de corpos, retroceder e voltar a focar em produtos e modelos magras, esbeltas, sem celulites e estrias, com aquele “corpo perfeito” inalcansável…
Pois é, a cultura da medicação para emagrecer é mais uma vez a cultura que está declinando um movimento de inclusão à corpos reais que vinha progredindo e se expandindo.
O que você pensa sobre isso?
Me conta nos comentários!
Bjo Bjo
Mari



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