A temporada Primavera/Verão 2026 da Paris Fashion Week, encerrada oficialmente hoje, trouxe um desfile de novidades não só nas passarelas, mas também (e talvez sobretudo) nas ruas da Cidade-Luz. Nesta edição, vimos estreias esperadas (como a de Matthieu Blazy na Chanel e Pierpaolo Piccioli na Balenciaga), mas enquanto as marcas apresentavam coleções leves e femininas, com transparências, recortes sutis e uma alfaiataria mais fluida, as ruas de Paris contavam uma história à parte — onde a beleza virou protagonista e termômetro de tendências reais.
Nas passarelas
Os desfiles se dividiram entre olhares clássicos reinventados e ousadias expressivas. Piccioli, por exemplo, assumiu a Balenciaga com vestidos balonê e tecidos “neo gazar”, revisitados com assinatura romântica. Matthieu Blazy em Chanel trouxe uma aura diáfana, leveza em tweeds delicados e silhuetas modernas. Já Jonathan Anderson na Dior cavou pontes entre acervo e fantasia, com referencias sutis aos códigos da maison.
Em um panorama geral, notou-se uma forte aposta no contraste entre romantismo e provocação: transparências, recortes estratégicos, couro perfurado e uma presença sensual mais ousada (em Tom Ford, Schiaparelli e outros) caminharam lado a lado com propostas de leveza, naturais e “menos é mais”.



Na estética beauty, algumas tendências já chegaram para ficar: pele metálica, brilho intenso nos lábios e cabelos de aparência “molhada” surgiram como assinatura, ao lado de flushes rosados e o retorno da manicure discreta (“just buffed”) nas passarelas da Dior e Loewe. Equilibrando o “glam out” e o “natural chic”, muitos desfiles adotaram maquiagens leves e sofisticadas, com pontos de cor pontuais como batom rosa ou olhos esfumados sutis. Para os cabelos, penteados “desfeitos” e texturas vivas assumiram protagonismo — rabos baixos messy, acessórios inusitados, fios brilhosos e cortes curtos ganharam espaço nas passarelas e nos bastidores.




E o street style? O desfile paralelo que acontece nas ruas
Em Paris, “quem vai assistir” vira parte do show e os convidados, observadores e fashion insiders sabem disso. Ao longo da semana, eles “desfilaram” nas calçadas com looks que dialogam com as coleções oficiais, recodificando tendências segundo suas personalidades.
No quesito beleza nas ruas, vimos interpretações livres das tendências vistas nas passarelas. Cabelos curtos (bobs retos, estilo flippy) dominaram. Rifas de cores — como o vermelho aceso nos fios — apareceram. Tranças elaboradas (cornrows, bubble braids), franjas micro e até mix de acessórios capilares (pérolas, presilhas) foram vistos com frequência. A maquiagem era um equilíbrio: glow natural, pele bem cuidada, e algum detalhe “flash” — batom rosa, brilho nos lábios, delineado sutil — que servia como assinatura individual.





Esse contraste, entre o que desfila formalmente e o que se expressa nas ruas, revela o fio narrativo da moda contemporânea: moda e beleza são inseparáveis, e quem circula pelas ruas de Paris se torna protagonista de seu próprio styling.



Quando pensamos em destaques de beleza durante uma semana de moda, o street style oferece pistas valiosas: ele nos mostra como tendências “de passarela” são resignificadas na vida real… quais cores entram no radar populacional, quais cortes fluem no dia a dia, que formatos de brilho funcionam sob luz natural. E no mix desses detalhes, encontramos os novos sinais do que vai dialogar com quem está fora dos desfiles.
Bjo, bjo
Mari



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