Pobreza Menstrual: um risco à saúde pública no Brasil

Você provavelmente já ouviu sobre o projeto de lei que prevê distribuição de absorventes para mulheres em condições de vulnerabilidade. Essa pauta ganhou ainda mais força nos últimos dias depois do presidente Jair Bolsonaro vetar a medida que pode levar saúde e bem-estar para tantas pessoas necessitadas. E como cidadãos de bem, vale entendermos melhor sobre esse tema que trata-se de bem-estar social e que pode continuar colocando em risco a saúde pública.

Projeto 'Ciclo Solidário' ajuda mulheres em situação de pobreza menstrual  no Amazonas - Agência Cenarium
Imagem: Reprodução/Google

“Pobreza Menstrual” é o termo usado para falar e alertar sobre a falta de informação e condições básicas financeiras e de higiene, tanto para mulheres quanto homens transexuais e pessoas não-binárias. Parece absurdo, mas se você vive no Brasil e tem acesso a absorventes, produtos sanitários e um espaço seguro e com estrutura durante o seu período menstrual, você é privilegiada!

Segundo a antropóloga Mirian Goldenberg, para o site Politize, “uma em cada quatro meninas no Brasil faltam à aula por não possuírem absorventes“, além de muitas mulheres se sentirem acanhadas em falar sobre isso. Essa falta de um produto tão necessario para a saúde feminina acontece em conjunto com a falta de saneamento básico para grande parte da população nacional.

Pobreza Menstrual no Brasil
Imagem: Reprodução/UNICEF

Tá preparada para uma informação impactante?

Muitas dessas pessoas sem acesso ao absorvente optam por outros recursos durante o período menstrual, sendo eles: papel higienico, papel sulfite, roupas velhas e até miolo de pão, sendo esse último muito utilizado por pessoas em situação de rua. Tudo isso, além de anti higienico e precário, ainda pode desenvolver diversas infecções, complicações e inflamações na região genital e na saúde em geral.

Essa falta de acesso à um produto tão básico de higiene acontece principalmente por razões economicas, já que é preciso desembolsar em média R$5 mil por ano em absorventes pra cada pessoa que menstrua. Mas, se o estado não fonece, já imaginou pessoas em situações precarias, que não tem nem condição de emprego, comida e/ou saneamento básico gastando esse valor? Como pode ser possível?

Bolsonaro alega justamente que a medida deve custar R$100 milhões aos cofres públicos e acabar gerando irresponsabilidade fiscal para o seu governo. Já a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) criticou o presidente e disse que “ao vetar a distribuição de absorventes às brasileiras mais carentes, Bolsonaro expõe sua falta de empatia e compromisso com as mulheres já que meninas pobres faltam às aulas ou adoecem usando folhas de papel no lugar de absorventes.”

Pobreza menstrual: uma questão de saúde pública - Lab Dicas Jornalismo
Imagem: Reprodução/Google

Por essas e outras questões, a pobreza menstrual acaba contribuindo ainda mais para a desigualdade de gênero, afinal a precariedade higienica faz muitas meninas e mulheres se ausentarem de aulas (estudos) e trabalho, o que consequentemente impacta no desempenho intelectual e profissional e desequilibra até mesmo a autonomia financeira da mulher.

Um dos passos mais importantes para o combate a toda essa situação é normalizar o período mesntrual, tanto para as mulheres como para os homens! É preciso haver informação e acolhimento as mulheres desde a infância. Também é importante darmos mais visibilidade às pautas governamentais que lutam pelos direitos básicos de higiene, além de buscarmos iniciativas para arrecadação e distribuição de produtos como absorventes e coletores menstruais.

Também vale a pena conhecermos e apoiarmos projetos que informam e auxiliam pessoas nessas condições, alguns deles são: “Meu Fluxo”, “Sangria” e “Herself”.

E você, acredita que a menstruação seja uma questão de saúde pública? Me conta aqui nos comentários

Beijos,

Mari

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